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BBB: avanços coloridos, Dourado e a homofobia

Estamos aquilonge de reflexões teoricamente rigorosas. Deixemos para os semiólogos,comunicólogos, teóricos da cultura e da TV, filósofos e quetais exegesesexaustivas e pesquisas empíricas consistentes. Como ativista LGBT , expectadore interessado no tema lanço algumas idéias, provocações e tentativas deanálise.

Primeiro: há que seconsiderar a relativa ousadia da Rede Globo, dos Boninhos e Bials ao escalar oelenco da atual edição do BBB. Não se trata apenas da tribo dos “coloridos” (umjovem gay, uma lésbica, uma drag-queen, todos previamente fora do armário) -mas de um conjunto de pessoas com um perfil menos comum - várias delas comalguma conexão com o vasto universo da diversidade.

Segundo: nenhuma inovaçãovem sem o seu contraponto. Afinal, realitys são também estruturas tradicionais,calcadas nos parâmetros da velha dramaturgia. Ou seja, obviamente haveria dehaver os vilões, que se contrapusessem à pseudo-liberalidade da maioria, aquase natural aceitação da diversidade. Aí entra uma figura como MarceloDourado – a antítese do politicamente correto.

Terceiro: independentedas intenções mercadológicas do empreendimento e das naturais contradições etensões, é inegável, que, pela primeira vez, em rede nacional, na emissoranúmero um, temos um leque variado de homossexuais dando pinta. Nunca havia sidoexposta assim a linguagem do gueto, nunca havia sido vista tanta bixice emhorário nobre, nunca uma lésbica “de verdade” fora protagonista de um enredo.

Desta feita, querendo ou os intelectuais (ou wannabe) céticos-blasé de plantão,o BBB é fato social, cultural, político e ideológico. E o BBB 10 tem mobilizadoopiniões, paixões, debates, torcidas - como poucas edições anterioresconseguiram.


Quando o professor JeanWillys se revelou gay em cadeia nacional e acabou ganhando o BBB 5, houve umavanço. Por mais que os céticos de sempre desqualifiquem esses acontecimentos,não é corriqueiro que uma figura tão rica e consistente ocupe um espaço dessadimensão e acabe se transformando em uma “celebridade” do bem. Não foi a toaque o movimento LGBT organizado e os gays antenados fizeram campanha para avitória de Jean. Singular participante e um paradigma positivo em terrenos daGlobo.

Dificilmente teremos outro Jean (com sua graça, equilíbrio, formação,inteligência emocional). Mas, temos Dimmy e Serginho, temos Angélica (mesmoeliminada), temos a possibilidade de que milhões conheçam gays e lésbicas decarne e osso, que representam parte importante da diversidade LGBT.

Bom, mas se estávamos acomemorar a vitória da fechação sobre a caretice, fomos obrigados a engolir emseco e transformar nossa agora indignação em movimento concreto. MarceloDourado, lutador, esperto, rude, machista, homofóbico e agressivo se tornou oprincipal personagem do BBB 10.

Muitos se espantam. Umpaís tão “liberal”, que tem a maior Parada Gay do mundo, que já deu um prêmioao homossexual Jean, elege Dourado como seu ídolo do verão? Sim, porque Douradogalvanizou uma torcida numerosa que lhe deu dois prêmios de popularidade (o“poder supremo” e um carro) e a vitória, com 55%, no “paredão” mais disputadoda história – justamente contra Angélica, uma lésbica que ousou enfrentá-lo defrente.

De início hostilizadopela maioria dos participantes, Dourado acabou ganhando simpatia por ter sidoenxergado como vítima da rejeição generalizada e injusta - só porque era umex-BBB. Passou então uma imagem de perseguido e se firmou no jogo. Atocontínuo, revelou-se o verdadeiro Dourado. Declarações machistas, bobagenssobre de como se transmite a Aids (homens heterossexuais não se infectariam),agressões verbais a mulheres, repúdio permanente aos homossexuais – tudo issoveio a se constituir no cotidiano do lutador.

Surpreendentemente, esseDourado rude, “macho”, sincero, tosco, agressivo,e homofóbico tornou-sequeridinho de milhões. Torcidas se organizaram. A internet viu florescer umverdadeiro fanatismo dos apoiadores do personagem. Orkut, twitter, blogs,sites, tornaram-se verdadeiros campos de batalha, onde se exaltam as qualidadesde Dourado – tratado como campeão.

Uma verdadeira catarse.Dourado parece ter fornecido um modelo e um ponto de convergência simbólicopara milhões de pessoas que se identificam com sua postura, com seu gosto poresportes e lutas, com sua rudeza, machismo e homofobia. Rapidamente, oprofessor de educação física transmuta-se em ídolo de jovens raivosos, fortes,orgulhosos de sua masculinidade. É como se fosse uma reação ao excesso de“liberalidade”, um contraponto às posturas consideradas politicamente corretas- de respeito à diversidade, de respeito às mulheres.

Uma válvula de escape. Umnovo canal para extravasar todo um sentimento conservador que estava reprimido.É como se os que perseguiram Geyse na Uniban (e os milhões de “machos” Brasilafora que gostariam de ter feito o mesmo) encontrassem , finalmente, um herói.Um representante, na verdade – um canal de expressão. Acharam alguém sem medode cuspir, peidar, arrotar, falar alto, discriminar. Um “macho” ao velho estilo– que não se intimida com essas modernidades educadinhas, certinhas.

Dourado é o orgulhoheterossexual. Na prática, a homofobia fora do armário. Na verdade, o retornodo velho macho. Na prática, machista. Símbolo do atraso, símbolo daintolerância branca, da violência e do sexismo. Ele é daquele tipo atirado,marrento, que não tem medo de mostrar garbosamente toda sua truculência. Daíque inspira e mobiliza milhões de órfãos. O Brasil profundo, autoritário,reacionário, machista, homofóbico e conservador adotou Dourado. E o adora.

Mas, esse país não é só deles. A democracia, a pluralidade, aliberdade, o respeito à diversidade são valores compartilhados por milhões -que podem fazer um Brasil melhor para todos. Por isso, tenho certeza, podemosvencer. É só não aceitarmos essa banalidade como inexorável. Somente assim osDourados passarão.

 
Brasileiro consegue asilo nos EUA após alegar sofrer perseguição por ser homossexual

Após alegar que sofria perseguição no Brasil por ser homossexual, o mineiro Augusto Pereira de Souza, 28 anos, conseguiu asilo nos Estados Unidos.


Residente na cidade de São Paulo desde os 15 anos de idade, Souza contou ao jornal Folha de S. Paulo sobre os ataques que afirma ter sido vítima. Primeiro teria ocorrido uma repreensão verbal feita pela polícia no Largo do Arouche, enquanto Souza aguardava o início de uma aula de seu curso de hotelaria. O segundo episódio teria acontecido no Parque Trianon, com um grupo de skinheads o perseguindo com tacos de beisebol que teriam pregos e cacos de vidro na ponta. Apesar de Souza contar não ter sido atingido, afirmou ter cortado o pé com os cacos de vidro.

A defesa do pedido de asilo foi feita pela professora Suzanne Goldberg e um grupo de alunos da Clínica de Direito para Sexualidade e Gênero da Universidade Columbia. Amigos de Souza ajudaram no processo com relatos.

Com a obtenção do asilo, o jovem poderá trabalhar no país e dispor de um cartão de seguridade social. No futuro, Souza poderá também iniciar o processo para obter o green card, visto permanente de imigração.

 
Reunião do FPLGBT 21/02/2010

Informamos que a próxima reunião do Fórum Paulista LGBT será realizada no dia 21/02/2010, das 10h00 às 18h00, na APEOESP (Praça da República).

Seguem as informações para as pessoas que precisarão de reembolso de passagens e alimentação (FAVOR OBSERVAR TODAS AS INFORMAÇÕES E RESPONDER PARA ESTE E-MAIL A CONFIRMAÇÃO)

Pedimos que confirmem a presença para a próxima reunião ordinária do

FPLGBT (21/02), no máximo até quinta-feira, dia 18/02, às 18h00, para

o e-mail: Este endereço de e-mail está protegido contra spam bots, pelo que o Javascript terá de estar ativado para poder visualizar o endereço de email , para que possamos nos organizar para

efetuar o reembolso das passagens e pagamento de alimentação.

Lembramos que o reembolso de passagens (ida e volta) só é feito para

as pessoas que não residem na cidade de São Paulo ou grande São Paulo.

O reembolso de passagens de ônibus (não podemos fazer reembolso de

combustível) só é feito mediante apresentação da passagem de ida.

Serão entregues envelopes selados para que as pessoas enviem as

passagens da volta pelo correio. A alimentação é paga inclusive para

os que residem na grande São Paulo, combinaremos com as pessoas no

início da reunião como e onde será feita a refeição.

 

A princípio, podemos fazer o reembolso de uma pessoa por

grupo/ONG/cidade, caso não tenhamos um número excedente de pessoas

confirmadas, poderemos reembolsar mais de uma pessoa por cidade.

Pedimos que os grupos preencham o cadastro que segue em anexo, para

que a coordenação do fortalecimento do FP tenha mais informações sobre

os grupos participantes, contatos, nomes dos responsáveis, etc.
OBS: O preenchimento do cadastro não é critério para o reembolso de

passagens, mas facilita o trabalho da coordenação do projeto.

 

PEDIMOS QUE A CONFIRMAÇÃO SEJA FEITA SOMENTE PARA O E-MAIL CITADO

ACIMA ATÉ ÀS 18h00 DO DIA 18/02/2010 (quinta-feira).

FAVOR SE IDENTIFICAR COLOCANDO NOME COMPLETO,

GRUPO/ONG/ CIDADE e VALOR DAS PASSAGENS (IDA E VOLTA) Não esquecer!

 

OBS: As pessoas que residem em S.Paulo ou grande São Paulo também

devem confirmar presença e se identificar (grupo/ONG/Instituição ou

ativista independente) para que possamos pagar o almoço, caso não

tenhamos o nome na lista de confirmados não poderemos garantir o

pagamento de refeição para os que residem em São Paulo ou grande São

Paulo.

 
Segue abaixo a pauta da reunião, horário e local.

PAUTA

Periodo da manhã (10h00 às 12h00): Apresentação da pesquisa realizada pelo PAGU (Unicamp) a cargo de Regina Facchini e outras pesquisadoras

Periodo da tarde (14h00 às 18h00):

Informes (Tempo máximo de 30 minutos para os informes, inscrições no período da manhã)

1 – Planejamento Fórum Paulista LGBT 2010 (propostas da Executiva e outras)

2 – Agenda Política

3 – IV Encontro Paulista LGBT

4 – Continuidade Projeto Estratégico (Caravanas FPLGBT)

5 – Critérios lista virtual FPLGBT

6 – Atualização de representações do FPLGBT

 

Reunião do Fórum Paulista LGBT

21 de fevereiro de 2010 - Domingo

Local: APEOESP - Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado

de São Paulo

Endereço: Praça da República, 282 - CEP: 01045-000 - São Paulo SP

Fone: (11) 3350-6000

 
Lady Gaga e Cyndi Lauper se unem em campanha contra a Aids

·      


Duasdas mais excêntricas cantoras da música pop se encontram para promover abeleza. Cyndi Lauper - ícone da extravagância dos anos 80 -e Lady Gaga - símbolo da provocação dos dias dehoje - foram eleitas porta-vozes do fundo contra Aids da marca de cosméticosMAC. 

 

"Aspessoas acham que você só pode ter uma forte sexualidade se tiver um p... Masvocê pode ter uma forte sexualidade e ser uma mulher que usa batom esaltos", defendeu Gaga ao site Women Wears Daily. Gaga e Laupercriaram, cada uma, um batom para a causa, que levam seus nomes. Eles custarão14 dólares cada um e começam a ser vendidos no mundo todo em março - nos EUA,as vendas já começaram. 

 

Amarca trabalha na conscientização de mulheres no combate à Aids, já que onúmero de contaminadas pelo vírus nos Estados Unidos triplicou desde 1985."Estamos ansiosas para ver nossos batons em camisinhas no mundotodo", provoca Lady Gaga, defendendo uma educação sexual menos careta nasescolas.

 

 
Da Escravidão à ditadura dos corpos
Irina Bacci - O passado, presente e quiçá, o futuro no Brasil parece ser permeado pelas mesmas vivências e infelizmente, comuns, violações dos direitos humanos. Da escravidão aos dias da atual democracia brasileira, observamos que nossa história está repleta de episódios onde somente os atores são trocados. 
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